ROSA KLASS

Os desafios do câncer por Ingrid Klass e Vanessa Rosa

NATALI DE PAULA SILVA EM “EU JÁ FUI CAREQUINHA”

 

Olá, meu nome é Natalí de Paula, tenho 30 anos e resido em São José dos Campos. Descobri em Outubro de 2015 um Câncer de Mama “Triplo Negativo”, do qual estou em tratamento ainda, foram 4 quimioterapias vermelhas, 22 injeções de Graulokine “Imunidade”, 12 quimioterapia Brancas “estou na 11/12”, tenho ainda um longo caminho com a cirurgia, recuperação que inclui fisioterapia no braço e radioterapia.

No começo não foi fácil aceitar esse problema que surgiu do nada, deixar de lado todas as atividades, 2 trabalhos, esportes físicos como correr e crossfit, ações voluntárias e principalmente me dedicar exclusivamente a minha saúde, estava ligada no 220v todos os dias desde as 6h até as 24h, ão pensava em outra coisa como relaxar durante a semana, apenas trabalho e vida corrida, sem perceber deixei que o estresse e a ansiedade tomassem conta da minha vida.

Não tive efeitos colaterais ruins nas quimios, a não ser uma sensação de menopausa, mas que é suportável. Segui a risca todas as orientações médicas, nutricionais, psicológicas para realmente passar por essa fase digamos que em 80% bem sem efeitos… atribuo os 20% ao meu psicológico que precisou ser trabalhado no quesito da área profissional. A minha ficha caiu realmente que eu estava enfrentando um câncer quando ouvi do médico sobre a cirurgia, sim há 1 mês exatamente! Odeio injeções, nunca vi as enfermeiras aplicando nada, fecho os olhos, trauma do tempo que cuidei de minha mãe doente… A Zoladex, minha injeção amiga de bloqueio hormonal, que tomo mensalmente tem a grossura de uma “agulha de crochê” e é aplicada reta com 3 a 4 cm na barriga, essa impressão que passa… tanto que uso anestesia local para tomá-la.

O cabelo foi uma fase ruim também, mas sofri por 4 dias “a toa”, pois depois percebi que vejo tantas coisas ruins e que uma queda de cabelo acaba se tornando “nada” perto de outros sintomas, que não senti e agradeço todos os dias. Me adaptei a perucas nessa fase, tenho 6, cada uma de um jeito todas lindas, apenas uma de cabelo natural que ganhei de uma amiga que já enfrentou isso e está curada, me sinto o máximo, cada dia posso usar uma, eu mesma tiro mil fotos para guardar de recordação, não triste, mas uma fase de superação e carinho, pelo apoio que recebi de tanta gente maravilhosa nesse momento de luta, sou ruiva, sou morena “chanel e comprido”, sou loira “curto e comprido”, sou azul “katy Perry”, sou também careca para os amigos íntimos e as redes sociais curiosas…  O mais importante é me sentir bem!

Agora pratico Yoga de vez em quando, faço aulas de pintura em tela, aguardem minhas obras de arte, passeio com meu cachorro, vou a parques com muita frequência, estou escrevendo meu livro de superação para ajudar mulheres em tratamento  e a mostrar a realidade de como é enfrentar um câncer aos 30 anos, com toda vida pela frente, vivo muitas coisas simples que eu nunca pararia para me dedicar, consigo perceber que eu precisava realmente de um freio, claro que não precisava ser um câncer, mas estou com a oportunidade, uma segunda chance de fazer diferente daqui para frente agora, então estou aproveitando.

Não sou diferente de ninguém, qualquer pessoa está sujeita a enfrentar isso, portanto o dia de amanhã é incerto e digo a todos para prezarem por um bom convênio médico, uma vida regrada em alimentação saudável e viver um dia de cada vez, deixem de lado a ambição exagerada e a vontade de TER e não SER… Curtam mais os amigos verdadeiros, si! O câncer limpa sua vida também, é um ótimo remédio para os olhos, enxergar quem realmente vale a pena e fazem questão de estar ao seu lado. Valorize sua família, minha concepção sobre isso é que família é quem realmente quer estar perto de você, na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza rsrsrs não precisa ser de sangue, o restante é parente…

Espero que as pessoas consigam enxergar o verdadeiro significado da vida, que assim como eu tenho enfrentado isso como mais uma adversidade em meu caminho, uma etapa sendo vencida, para quando eu olhar para trás ver as cicatrizes no meu corpo e alma, terei a certeza de que VIVI e não passei apenas pela vida.

Cuidem-se, o mundo é lindo para ser conhecido, a vida é maravilhosa e aproveitem o que tem… Quanto mais se agradece, mais coisas boas acontecem.

Beijos!!!

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2 thoughts on “NATALI DE PAULA SILVA EM “EU JÁ FUI CAREQUINHA”

  1. Minha grande amiga e irmã que o câncer me trouxe (sim! O câncer nos traz pessoas maravilhosas para o resto de nossas vidas!), tenho um enorme orgulho de ser tua amiga! De poder ver a mulher guerreira é sensacional que você é! Obrigada por me deixar fazer parte da sua vida. Te Amo “Maiske” Chocolate.

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