ROSA KLASS

Os desafios do câncer por Ingrid Klass e Vanessa Rosa

AUTOMEDICAÇÃO

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Atualmente a população tem cada vez mais acesso à informação com ajuda da Internet e, paralelamente a isso, a automedicação só vem aumentando. É comum digitarmos qualquer sintoma num site de buscas, e lá está o diagnóstico e tratamento. Isso além das indicações de conhecidos que sempre tem uma história como: “Eu tive isso e tomei tal remédio, é muito bom”, “Fulana melhorou tomando tal medicamento”.

De início é preciso entender que cada organismo é ÚNICO e pode reagir de forma diferente ao mesmo medicamento. O que é bom para uma pessoa, pode fazer mal a outra. Além das interações medicamentosas.

A interação medicamentosa acontece quando os efeitos de um medicamento são alterados, às vezes anulados, ou até potencializados, pela presença de outro, bem como pela mistura com fitoterápicos (os chamados “remédios naturais”), alimentos, bebidas (como chás, álcool, leite), plantas medicinais…

Um paciente pode tolerar bem e curar uma dor de cabeça, por exemplo, utilizando um determinado medicamento, mas outro pode observar reações adversas em decorrência de uma alergia, ou interação medicamentosa com outro medicamento que já utilize. Então ele trata a dor de cabeça, mas passa a ter outro sintoma em decorrência desta interação e/ou reação. Por isso é importante consultar sempre um médico ou farmacêutico antes de tomar qualquer medicamento. Um “simples” antigripal pode trazer muitos riscos à saúde de um paciente não orientado corretamente.

Reações adversas, também chamadas de efeitos adversos ou efeitos colaterais, acontecem quando um medicamento promove efeito indesejado e diferente do esperado. Segunda a OMS (Organização Mundial da Saúde), trata-se de “qualquer resposta prejudicial ou indesejável e não intencional que ocorre com medicamentos em doses utilizadas para prevenção, diagnóstico, tratamento de doença ou para modificação de funções fisiológicas”.

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Em se tratando de câncer, em alguns casos a automedicação pode ainda mascarar sintomas, retardando o diagnóstico, o que faz com que se perca um tempo que, como sabemos, pode ser crucial no sucesso do tratamento.

Um belo exemplo disso é o uso de antiácidos (os populares “sais de frutas”) sem orientação. É muito comum as pessoas sofrerem diariamente com dor de estômago e azia, e recorrerem a estes medicamentos, sem qualquer orientação. Dor de estômago e azia freqüentes, em especial após as refeições, podem, entre outros, ser sinais de câncer gástrico. Então sempre vale a pena investigar, pois não é comum utilizar antiácidos diariamente.

Via de regra, tudo que sai fora do normal, deve ser investigado. Entenda-se como “normal”, SENTIR-SE BEM, pois não é normal ter qualquer tipo de dor frequente ou diariamente. Se está sentindo isso, procure seu médico.

Outro exemplo é a conhecida Dipirona, amplamente utilizada, sem qualquer orientação, para combater dores e febres, que deve ser evitada (salvo sob recomendação médica) por pacientes com Leucemia, pois, em excesso, pode causar diminuição dos glóbulos brancos.

Há ainda o Paracetamol, com o mesmo uso do anterior, que, em excesso, pode ser hepatotóxico (tóxico para o fígado), e deve ser evitado em pacientes com câncer no fígado (novamente, salvo sob recomendação médica).

Para prevenir qualquer um destes problemas mencionados, a dica é simples: não utilize medicamentos sem orientação do seu médico ou farmacêutico. Tire todas as suas dúvidas no consultório do seu médico, pergunte sobre o que está sendo prescrito, conte sobre qualquer outro medicamento que esteja utilizando, até daquele chazinho de todos os dias. E quando for à farmácia, não hesite em conversar com o farmacêutico, pergunte sobre os medicamentos que está comprando, conte sobre os outros que já tem em casa, e também sobre seus hábitos de alimentação, questione as interações, os melhores horários de administração… Estamos lá para te ajudar!

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Elaine Boslooper Fuzetti

Farmacêutica

CRF/PR 25799

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